
Era uma vez, um velho chamado Mene-Malakaze e sua esposa Khengue que tinham uma filha chamada Manzalele. Ela era muito bonita e a partir dos seus dezasseis anos, começou a criar confusão entre os moços da sua aldeia e das aldeias vizinhas. Tinha muitos pretendentes, mas como o velho Malakaze, seu pai, lhe havia ordenado para não aceitar qualquer proposta de casamento, sem que tivesse completado vinte anos de idade, não passava bola a ninguém.
No vigésimo aniversário natalício da Manzalele, Mene-Malakaze chamou Khengue, sua esposa, e perguntou-lhe:
- Tu tens ouvido as lutas que tem havido entre os moços desta causa da nossa filha?
- Sim, meu marido - respondeu a esposa.
- Isto quer dizer que a nossa filha é a mais linda, de todas as garotas desta área...
A Senhora Khengue ficou alguns instantes sem dizer um nem dois e, de repente, perguntou:
- Velho Malakaze! Que tipo de negocio tencionas fazer com a nossa filha?
- Negócio, não! - respondeu o velho. Sabes como o rio onde buscamos água fica muito longe daqui, vamos exigir água permanente ao nosso futuro genro. Pôr água aqui é a condição indispensável para quem quiser ser marido da nossa filha.
Depois de alguns minutos de silêncio, o velho precisou:
- Ao moço que quiser ser marido da minha filha vou pedir para trazer-me aqui uma porção do rio para nunca mais andarmos os vinte quilómetros à procura de água.
- A velhice está a estrambelhar-te o miolo. Achas que há alguém que possa fazer isso? - interrogou-lhe a esposa, um tanto nervosa.
- Bom, para ti tudo é impossível mas para os espertos, não. Se a nossa filha tiver sorte, com a sua beleza certamente vai encontrar um moço esperto que vai fazer tudo por pôr-nos água aqui - respondeu o velho.
Assim, a todos os moços que foram pretender Manzelele, o velho exigia, insistentemente, a porção do rio. Mas por essa ser uma exigência impossível, quase todos acabavam por desistir da pretensão de casar com a moça.
Finalmente, apareceu um moço que disse chamar-se Kudimuka (esperteza) a quem o velho fez a mesma exigência. Por sua vez, Kudimuka pediu ao velho para que colocasse à sua disposição uma enxada, pá e picareta e também um moço para lhe mostrar o rio.
O velho, todo satisfeito, preparou o material e o moço que serviria de guia do futuro genro.
Por volta das dezoito horas, Kudimuka enviou o moço ao futuro sogro, com o seguinte recado: "Vais ao velho e diz-lhe que já cortei o pedaço do rio e que ele prepare uma rodilha feita de fumo para eu poder pôr a porção do rio no cabeça".
Quando o velho recebeu o recado, ficou surpreendido e disse consigo mesmo: "Esse Kudimuka é mesmo esperto. A minha exigência foi muito absurda".
Depois, virou-se para o portador do recado e ordenou-lhe: "Vai imediatamente ao rio e diz ao Kudimuka para vir".
Logo que Kudimuka chegou, o velho pôs-se de pé e abraçou-o efusivamente. Em seguida, disse-lhe: "A partir de hoje, Manzelele, minha filha, é tua esposa. Não precisas dar-me mais nada, porque eu apenas estava à procura de um rapaz esperto que fosse marido da minha filha".
2017, RuiSSantos
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